terça-feira, 19 de abril de 2011

estação outono

estação outono
folhas secas cobrem o chão
próxima parada, inverno

sábado, 16 de abril de 2011

sul

céu sempre
azul
onde está
a nuvem
que veio
do sul?

sexta-feira, 15 de abril de 2011

retrato de um velho outono

não sei
se um
deus
nos olha
com tristeza
ou compaixão...
(os anjos
sabem)
sei de
um outono velho
de folhas
mortas
caídas
no chão

domingo, 10 de abril de 2011

Realengo

Dedico essa singela Aldrava.
À todas as crianças vítimas da barbárie na Escola Municipal Tasso da Silveira em Realengo no Rio de Janeiro- Brasil, aos seus familiares e aos amigos que ficaram para continuar a longa e árdua caminhada pela vida, com amor e fraternidade. Meu sentimento de pesar. Que a luz maior conforte seus corações.


ontem/
à/
tarde/
sentimento/
maior/
saudade/

sexta-feira, 8 de abril de 2011

amor,esperanto

não
me
atrevo
a tanto
dizer
eu te amo
em
esperanto

poemeto

leve
noite
sem
peso
lua
minguante

sábado, 2 de abril de 2011

barco de papel

meu barco de papel
navega nas águas turvas
e agitadas da enxurrada
dentro dele não há nada

seu destino segue incerto
o ancoradouro pode ser
o bueiro da esquina
certamente cairá no esquecimento

meu barco de papel
navega até a próxima rua
não descobrirá nem um continente

vai naufragar assim que chegar
ao último porto da cidade
provavelmente na próxima avenida

quarta-feira, 23 de março de 2011

*aldravismo

longe
da
rota
andorinha
ao
sul

segunda-feira, 21 de março de 2011

*aldravismo

diáspora
do
vento
gira
os
cata-ventos

em parte alguma, vento

o vento
segue
sem rumo
em toda
parte
em parte
alguma

domingo, 20 de março de 2011

* aldravismo

digno
de
nota
rodapé
da
página

sábado, 19 de março de 2011

duas partes

não sou mais
que duas partes
corpo e alma
verbo e silêncio
sorriso e lágrima
não sou mais que
uma rota de fuga
entre uma tempestade
de raios...
...e o que sobrou
de vestígio
da última chuva

quinta-feira, 17 de março de 2011

sem ar, perto do mar

sem ar
perto do mar
alçando
voo em
plena luz do dia...
sem ar
sem os mistérios
do mar...
correntes marinhas
atravessam oceanos
o atlântico
é logo ali
no encontro
do pacífico
com o mar de Java

terça-feira, 1 de março de 2011

em vão

tento em vão
reter o deus vento
na palma da mão...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

detritos

não há nada que possa ser feito
ondas agitadas
e depois
apenas detritos de maré baixa

domingo, 27 de fevereiro de 2011

na
página
sem
margem
a
imaginação
pede
passagem

sábado, 26 de fevereiro de 2011

mudança de estação

em
ritmo de
festa
as
folhas
caem
umas
sobre
as outras
bailam ao
som do
vento
entre
uma
e outra
mudança de
estação

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

noturno

noturno
silêncio
de estrelas...
noite adentro
lua cheia
verbo
pálido
sob a luz
da candeia




Ricardo Campos

sábado, 5 de fevereiro de 2011

verbo

sinto
o
verbo
quente
na
boca
da
manhã