"...Plantem flores, minhas mãos, antes da paralisia. Plantem-se palavras no vaso raso desses dias antes que se ponha o sol..." João Batista Jorge
terça-feira, 30 de abril de 2013
quarta-feira, 10 de abril de 2013
mariposas
invisível amor de mariposas
prenhes da luz de velas:
a mesa posta à espera
dos amantes noturnos...
Ricardo Campos
sábado, 16 de março de 2013
desconheço o mar
desconheço o mar.
sou montanha de minas:
ar e vento entrecortando
as gerais...
desconheço a poesia do mar;
ondas, naufrágios e corais:
sou minério, pó de mina,
água que corre no leito do rio.
desconheço os oceanos do mar.
sou pedra sabão esculpida na
dor e no silêncio de profetas.
sou dessa trilha que não deixa
vestígio da canção poética do mar
Ricardo Campos
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
despertar
“Quando as aves falam com as
pedras e as rãs com as águas - é de poesia que estão falando.”
Manoel de Barros
-O homem nasce pássaro até o amanhecer despertá-lo
para o barro.
-O criador da poética das águas?
-Daqueles que guardam rebanhos no chão:
debaixo dos pés.
-Sim.
-Quem vive encantando palavras?
-Ofertai-vos silêncios de amanhecer!
-Quem és tu?
-Manoel.
Campos, Ricardo-Poesia é o que estamos vivenciando-Literatura
Brasileira-Janeiro 2013.
a conta gotas [recordações]
(...)
debruçado na janela
da finitude...
eis que as recordações pingam
a conta gotas
Campos, Ricardo. Pequenos poemas [surtos poéticos]
Literatura Brasileira-Janeiro de 2013.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
poema
deixe-me sair por essa janela
redesenhada na calçada
redesenhada na calçada
(livre)
na eternidade desse sôfrego vento
por detrás das montanhas?
Campos, Ricardo. Série pequenos poemas [Surtos poéticos]. Poesia-Literatura brasileira-Dezembro de 2012.
domingo, 16 de dezembro de 2012
velho sofá
-entre: a porta está aberta;
a porta da sala de estar
à vontade com as pernas
jogadas em cima do velho sofá.
domingo, 9 de dezembro de 2012
Ofício
poeta errante
nessa terra fumegante
(sombraverbos)
queima-fogo
terra do fogo
-o suor do corpo
caindo quente sobre
a terra castigada.
nessa terra fumegante
(sombraverbos)
queima-fogo
terra do fogo
-o suor do corpo
caindo quente sobre
a terra castigada.
Campos, ricardo-poesia-literatura brasileira-dezembro-2012
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
a palavra, as cigarras.
(...)
“à luz presente
sou apenas um bicho
transparente”
sou apenas um bicho
transparente”
Ferreira Gullar
-sem a palavra,
a metade do que sinto
não existe.
-as cigarras querem
dizer algo
aos ouvidos da alma?
Campos,
Ricardo-Literatura Brasileira-Pequenos Poemas [surtos poético] Novembro de
2012.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
poema
***
de olhar a solidão:
assim tão longe.
quase que deu tempo
de sentir saudades.
...as caravelas
partiram
do tejo e trouxeram
saudades.
Campos.
Ricardo-Literatura-Brasileira-Poesia-Pequenos poemas [surtos poéticos] Novembro
de 2012.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
cigarras & auroras
o c é u c h o r a
c i g a r r a s e a u r o r a s
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
apanhador de estrelas
apanhador de
estrelas,
luas e cometas:
-baby!
na negra noite;
poesia exalando!
Campos, Ricardo- Poesia-Literatura Brasileira-2012. série- pequenos poemas- [surtos poéticos]
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
página em branco
página em branco
múltiplos compassos
do vazio
silêncio de palavras
Campos, Ricardo- Poesia-Literatura Brasileira-2012. série- pequenos poemas- [surtos poéticos]
terça-feira, 28 de agosto de 2012
entre vós:poetas
entre
vós: poetas
repousa
neologismos
decifráveis
à medida do verso
verbos
quentes
madrugadas
gélidas
noites
solenes...
entre
vós: poetas
narrativas
de além horizontes
finita
aurora
dias
acinzentados
céu
de agosto...
Ricardo Campos
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
fundo da agulha
a lua que olho
passa no fundo
da agulha:
-costuro o céu
de estrelas...
Campos, Ricardo- Poesia-Literatura Brasileira-2012.
série- pequenos poemas- [surtos
poéticos]-2012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
inverno
“Tudo que não invento é falso”
Manoel de Barros
cheiro de livro velho:
os silêncios navegam
entre pedras e as
sombras de inverno.
cores cinzas nos
desvãos do mundo.
-é inverno, meu deus!
é inverno!
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Dama Noturna
-A menina flor da noite?
-Ah, talvez seja.
(Um pouco pensativo com a mão sobre a face)
-Nos jardins mais insones e serenados.
-Eis, a dama da noite!
-Quero vê-la dançar ao relento.
Na lua quarto - crescente...
Ricardo Campos
domingo, 3 de junho de 2012
sexta-feira, 1 de junho de 2012
fragmentado
ermo de nada:
pedras que aprisionam gente
flor de aurora
rosa dos ventos...
engolimos cidades num fôlego só:
na incompletude de nossa terrível pressa
Ricardo Campos
01/06/2012
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