sábado, 29 de janeiro de 2011

até agora
apenas
o sol
amanhã
o brilho
moderado
das estrelas

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Fria
palavra que arrepia
a alma
Fria
palavra que arrepia
o corpo
Fria
palavra que arrepia
a página
Fria
palavra que arrepia
poesia nua

ninguém ouve

eu falo
tu falas
ele fala
nós falamos
vós falais
eles falam
ninguém ouve

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

o leve peso

“Mas, na poesia amorosa de todos os séculos, a mulher sempre desejou receber o fardo do corpo masculino. Portanto, o fardo mais pesado é também, ao mesmo tempo, a imagem do momento mais intenso de realização de uma vida”
Milan Kundera

A Insustentável Leveza do Ser.



meu
corpo
sobre teu
corpo
(tão leve o peso
do amor)
dois corpos
multiplicam-se
em gestos
e movimentos

Ricardo Campos

sábado, 22 de janeiro de 2011

abrigo oceano mar

meu abrigo é o oceano
pacífico atlântico índico
mar da china
meu olhar é oceânico
corais ondas faróis
naufrágios
do século XV...




Ricardo Campos

ruídos de tempo

talvez fossem as cores
rumores ou
ruídos de tempo
( passagem de uma
estação
para outra)
talvez fossem as palavras
que vem e vão
e preenchem o vazio...
talvez tudo isso aindaesteja escrito
em um pergaminho
do antigo Egito




Ricardo Campos

barco a vela

ato 1

...de encontro à pedra
a onda que desassossega...

***

ato 2

o reencontro com o mar
que deixa levar
os sonhos cálidos
a bordo em um barco a vela...




Ricardo Campos

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

não mais que
algumas estrelas...
( e o céu está
repleto delas...)
há se todas
coubessem
dentro da página...

semáforo

sinal amarelo
pisca alerta
ligado
um carro
passa ao lado





Ricardo Campos

sábado, 8 de janeiro de 2011

sobre as águas

caminhando sobre
as águas...
-onde estão
as pegadas
deixadas por
mim sobre o lago?





Ricardo Campos

sábado, 25 de dezembro de 2010

o instante momento

tempestade e vento
corpos ao relento
e ninguém agora
flertando com
o instante momento







Ricardo Campos

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

vinho orgia amor

dois no mesmo voo
no mesmo vácuo
vinho orgia amor







Ricardo Campos

domingo, 28 de novembro de 2010

todas as folhas

um bater
de porta
entra pela
sala
todas
as folhas
que estavam
na calçada







Ricardo Campos

por entre os dedos

a
mão
apalpa
a luz
(solar)
o raio
em fuga
por
entre
os
dedos






Ricardo Campos

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

o sol e a lua

tão perto ficou
o sol e a lua
tão distante minha
boca da sua
(tão perto teu
corpo do meu...)
como se o
sol tivesse mãos
e despisse a lua
e a tomasse toda nua
como se fosse sua





Ricardo Campos

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

deus-poesia de todas as horas

talvez
o silêncio
de agora
seja
poema
de
outrora;
deus seja
poesia
de
todas
as horas







Ricardo Campos

naufrágio

no
mes
mo
la
do
mas
em
sent
ido
opos
to
dois
na
vios
nau
fra
gam
no
cais
do
porto








Ricardo Campos

sábado, 11 de setembro de 2010

a mancha na página

uma
página
após
outra
uma
página
mancha
outra
uma
mancha
na
página
amarela
a página






Ricardo Campos

( In memórian) a planta

vaso
raso
sem
terra
à
memória
de uma
planta
que
morreu
numa
guerra





Ricardo Campos