quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

poesia
















tenhamos paciência
com a falta de chuva;
os sapos ainda coaxam soberbos sobre as pedras.





ricardo campos

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

tão perto













as palavras anunciam
a quebra do silêncio:
vem de longe
rebento vento de maresia
sem que se mova montanhas.








ricardo campos



quinta-feira, 4 de setembro de 2014

talvez nesta página









talvez nesta página
(corroída pelo tempo)
de um livro a ser escrito
por essas mãos enrugadas
o olhar propenso a eternizar
o horizonte






Ricardo Campos

sábado, 26 de julho de 2014

a chuva









desde quando:
a chuva insistente
fina e envolvente.

desde ontem:
quando a chuva
se desprende...

n'alguma nuvem;
n'algum lugar:
que não seja o céu.






Ricardo Campos


quarta-feira, 30 de abril de 2014

passaotempo











hora
horas
tempo
tempos
entre horas
passaotempo





Campos, Ricardo
In Poemas Concretos

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

* devaneios noturnos






-você se arriscaria em uma noite
de estrelas de ontem?

-desculpe, mas a minha
noite as estrelas
ainda não aconteceram

-o silêncio de sempre,
mal penso um minuto
à frente.

-talvez, na próxima noite,
eu possa encantar-me
com devaneios noturnos



*(em construção- modificado em abril 2014)

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

café matinal













respira;
o silêncio de
manhãs rubras.
maçãs adormecidas
no café matinal.







Ricardo Campos

quarta-feira, 26 de junho de 2013

àquelas folhas que caíram ontem.






...desde quando chegou aqui
na rajada de folhas secas
era uma criança de olhar desconfiado
tímida como um silêncio
e até onde sei
não se fez adulto de alma crua
desde quando chegou
tua palavra/poesia abençoada
imortalizou auroras breves
desde àquelas folhas
que caíram ontem....





Ricardo Campos

domingo, 9 de junho de 2013

outono







um dia de cão
(vociferar)
outonos nos dentes

vadios bêbados
deitados em calçadas
frias

mariposas sentimentais
anunciam estrelas

tão distante a noite
ela apenas observa...






Ricardo Campos
(Modificado -Abril 2014)

sexta-feira, 10 de maio de 2013

casebres









fez-se
silêncio:
eram casas abandonadas,
tijolos à mostra,
janelas abertas...
pela porta;
vento outonal




(Ricardo Campos)

encantamentos








é poesia:
noite de
silêncios
e folhagens,
que se perdem
em crepúsculos
sonâmbulos.

cigarras sem asas:
tremulam na
copa de árvores,
auroras
frias,
encantamentos.



(Ricardo Campos)

terça-feira, 30 de abril de 2013

poemeto

 
 
 
...há uma gota
de estrela entre
o céu e a lua

 
 
 
(Ricardo Campos)

Campos, Ricardo-Pequenos poemas, surtos poéticos. Poesia Brasileira-Abril de 2013.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

mariposas













invisível amor de mariposas
prenhes da luz de velas:
a mesa posta à espera
dos amantes noturnos...








Ricardo Campos

sábado, 16 de março de 2013

desconheço o mar






desconheço o mar.
sou montanha de minas:
ar e vento entrecortando
as gerais...

desconheço a poesia do mar;
ondas, naufrágios e corais:
sou minério, pó de mina,
água que corre no leito do rio.

desconheço os oceanos do mar.
sou pedra sabão esculpida na
dor e no silêncio de profetas.
sou dessa trilha que não deixa
vestígio da canção poética do mar



Ricardo Campos






terça-feira, 15 de janeiro de 2013

despertar



“Quando as aves falam com as pedras e as rãs com as águas - é de poesia que estão falando.”
Manoel de Barros




-O homem nasce pássaro até o amanhecer despertá-lo
para o barro.
-O criador da poética das águas?
-Daqueles que guardam rebanhos no chão:
debaixo dos pés.
-Sim.
-Quem vive encantando palavras?
-Ofertai-vos silêncios de amanhecer!
-Quem és tu?
-Manoel.





Campos, Ricardo-Poesia é o que estamos vivenciando-Literatura Brasileira-Janeiro 2013.

a conta gotas [recordações]


(...)


observar a chuva
debruçado na janela
da finitude...
eis que as recordações pingam
a conta gotas





Campos, Ricardo. Pequenos poemas [surtos poéticos] Literatura Brasileira-Janeiro de 2013.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

poema



deixe-me sair por essa janela  
redesenhada na calçada

deixe-me por aí
(livre) 
 na eternidade desse sôfrego vento
-desses que cortam horizontes
por detrás das montanhas?







Campos, Ricardo. Série pequenos poemas [Surtos poéticos]. Poesia-Literatura brasileira-Dezembro de 2012.

domingo, 16 de dezembro de 2012

velho sofá









-entre: a porta está aberta;
a porta da sala de estar
à vontade com as pernas
jogadas em cima do velho sofá.

 

 

 

 

 
Campos, Ricardo. Série pequenos poemas [Surtos poéticos]. Poesia-Literatura brasileira-Dezembro de 2012.

 

domingo, 9 de dezembro de 2012

Ofício


poeta errante
nessa terra fumegante
(sombraverbos)
queima-fogo
terra do fogo
-o suor do corpo
caindo quente sobre
a terra castigada.
 
 
Campos, ricardo-poesia-literatura brasileira-dezembro-2012