"...Plantem flores, minhas mãos, antes da paralisia. Plantem-se palavras no vaso raso desses dias antes que se ponha o sol..." João Batista Jorge
quinta-feira, 26 de março de 2015
tão logo a lua apareceu
tão logo a lua
apareceu
fez-se estrelas
céu de luzes
vaga-lumes
moinhos de vento
Ricardo Campos
como se não existisse o fim
a um pouco de nós
tão
perto
a
sós...
equidistante
à sombra
água
cristalina
rio
abaixo
como
se não existisse o fim
Ricardo Campos
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
poesia
tenhamos paciência
com a falta de chuva;
os sapos ainda coaxam
soberbos sobre as pedras.
ricardo campos
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
tão perto
as palavras anunciam
a quebra do silêncio:
vem de longe
rebento vento de maresia
sem que se mova montanhas.
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
talvez nesta página
talvez nesta página
(corroída pelo tempo)
de um livro a ser escrito
por essas mãos enrugadas
o olhar propenso a eternizar
o horizonte
Ricardo Campos
sábado, 26 de julho de 2014
a chuva
desde quando:
a chuva insistente
fina e envolvente.
desde ontem:
quando a chuva
se desprende...
n'alguma nuvem;
n'algum lugar:
que não seja o céu.
Ricardo Campos
quarta-feira, 30 de abril de 2014
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
* devaneios noturnos
-você se arriscaria em uma noite
de estrelas de ontem?
-desculpe, mas a minha
noite as estrelas
ainda não aconteceram
-o silêncio de sempre,
mal penso um minuto
à frente.
-talvez, na próxima noite,
eu possa encantar-me
com devaneios noturnos
*(em construção- modificado em abril 2014)
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
café matinal
respira;
o silêncio de
manhãs rubras.
maçãs adormecidas
no café matinal.
Ricardo Campos
quarta-feira, 26 de junho de 2013
àquelas folhas que caíram ontem.
...desde quando chegou aqui
na rajada de folhas secas
era uma criança de olhar desconfiado
tímida como um silêncio
e até onde sei
não se fez adulto de alma crua
desde quando chegou
tua palavra/poesia abençoada
imortalizou auroras breves
desde àquelas folhas
que caíram ontem....
Ricardo Campos
domingo, 9 de junho de 2013
outono
um dia de cão
(vociferar)
outonos nos dentes
vadios bêbados
deitados em calçadas
frias
mariposas sentimentais
anunciam estrelas
tão distante a noite
ela apenas observa...
Ricardo Campos
(Modificado -Abril 2014)
sexta-feira, 10 de maio de 2013
casebres
fez-se
silêncio:
eram casas abandonadas,
tijolos à mostra,
janelas abertas...
pela porta;
vento outonal
(Ricardo Campos)
encantamentos
é poesia:
noite de
silêncios
e folhagens,
que se perdem
em crepúsculos
sonâmbulos.
cigarras sem asas:
tremulam na
copa de árvores,
auroras
frias,
encantamentos.
(Ricardo Campos)
terça-feira, 30 de abril de 2013
poemeto
...há uma gota
de estrela entre
o céu e a lua
(Ricardo Campos)
Campos, Ricardo-Pequenos poemas, surtos poéticos. Poesia Brasileira-Abril de 2013.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
mariposas
invisível amor de mariposas
prenhes da luz de velas:
a mesa posta à espera
dos amantes noturnos...
Ricardo Campos
sábado, 16 de março de 2013
desconheço o mar
desconheço o mar.
sou montanha de minas:
ar e vento entrecortando
as gerais...
desconheço a poesia do mar;
ondas, naufrágios e corais:
sou minério, pó de mina,
água que corre no leito do rio.
desconheço os oceanos do mar.
sou pedra sabão esculpida na
dor e no silêncio de profetas.
sou dessa trilha que não deixa
vestígio da canção poética do mar
Ricardo Campos
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
despertar
“Quando as aves falam com as
pedras e as rãs com as águas - é de poesia que estão falando.”
Manoel de Barros
-O homem nasce pássaro até o amanhecer despertá-lo
para o barro.
-O criador da poética das águas?
-Daqueles que guardam rebanhos no chão:
debaixo dos pés.
-Sim.
-Quem vive encantando palavras?
-Ofertai-vos silêncios de amanhecer!
-Quem és tu?
-Manoel.
Campos, Ricardo-Poesia é o que estamos vivenciando-Literatura
Brasileira-Janeiro 2013.
a conta gotas [recordações]
(...)
debruçado na janela
da finitude...
eis que as recordações pingam
a conta gotas
Campos, Ricardo. Pequenos poemas [surtos poéticos]
Literatura Brasileira-Janeiro de 2013.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
poema
deixe-me sair por essa janela
redesenhada na calçada
redesenhada na calçada
(livre)
na eternidade desse sôfrego vento
por detrás das montanhas?
Campos, Ricardo. Série pequenos poemas [Surtos poéticos]. Poesia-Literatura brasileira-Dezembro de 2012.
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